terça-feira, 15 de novembro de 2011

Fragmentos

Vejo-me no espelho
                   estou fragmentado
               meu rosto em diversas formas
       meus olhos
fragmentados em inúmeras
            partes
     mas o vazio da
            oca íris inunda
               Tudo.

Caminho até o jardim
                                   vejo os fragmentos
    da poderosa natureza.
A rosa
            vermelha dividiu-se em dezenas de partes
                   só o caule
          que
             sustenta .
       Até quando?

As ruas estão fragmentadas
               fragmentos
     humanos fabricam as ruas.
Tudo se confunde.
Percorro as ruas
              o asfalto é como vidro
                         vai cortando tudo
sinto a fragmentação da
                Maravilhosa dor.

Vejo meus irmãos
            fragmentados
   nos ônibus
            fragmentados
  ouvindo as ocas músicas
            fragmentadas
com seus aparelhos
                                   celulares, Mp4, iPod, iPad
              Tudo
             fragmentado.
Esquecerei a realidade fragmentada?

Navego no mar do meu coração
                 como é dolorido navegar em águas tão profundas
        a tempestade do amor
                 é silenciosa quando o segredo está guardado
       a sete chaves e lançado nesse estúpido e amargo peito.

Sinto o vento
                    fragmentado cortar meu rosto
      só agora percebo que até meu
            coração
      está
               fragmentado.

Então minhas mãos tornam-se fragmentos da vida
           meu poema é uma estúpida
                       fragmentação
da realidade, da imaginação, das bocas que leem e dos olhos
                       que navegam.
Só permanece imóvel a grande
            ÍRIS.

Fernando Bernadelli

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Aos teus olhos

O horizonte das palavras é difícil de encontrar.
Como os seus olhos que um dia
                                                 o sopro do vento levou para
                      o ártico.
Desde então meu coração é gelo
não há batidas, não há sangue
                                                 há apenas um vento frio
       que circula
vagarosamente nas minhas
                                 estúpidas veias.
Por fim, as minhas lágrimas
         são de cristais de gelo
 que refletem os olhos perdidos...
Como a vida é fria Meu Deus!

Fernando Bernadelli

terça-feira, 26 de julho de 2011

Noite

Fria noite
           que me aflige,
                      em teu sopro
está a minha dor
             que flutua
         ao lado da escuridão.
Tempo inacabado
severas badaladas
em minha alma
frágil, fragmentada, fantasmagórica
               nesse estúpido tempo. 


Abro caminho
      na tempestade noturna
               ouço outras vozes
  de diversas dores 
                   as mesmas dores
                   as mesmas indentidades
frágeis
          em um só canto. 
Levam tudo...
pés frágeis
mãos trincadas 
corpo vazio 
                    no fim uma estúpida estátua 
                         gélida
                         egoísta 
                        dona de um tempo.

                                                Fernando Bernadelli

Dor

Sinto-me sozinho
               egoísta com a minha dor
     não quero comunicar
     não quero amar
                       resta
         isolar-me 
              como uma estúpida árvore seca e podre.


Deixa-me sozinho
             esquece a minha existência
    quando abrires a tua porta
                 não deixa-me
            entrar
Porque estupidamente nasci oco
nasci fraco, nasci sozinho, nasci poeta.
Ó vida!! Como que tu és seca.

                                      Fernando Bernadelli

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Poesia

Minhas mãos estão mortas
             paralisadas, frias, congeladas,
 Tu sabes dessa dor
  sabes que tudo isso  é inútil
           esse grito, esse clamor, essa solução!
Sentes a dor do mundo
             sozinho , isolado
            és uma ilha morta
                 seca
          apenas areia.

Ouves os cantos de outros seres
o mesmo clamor, o mesmo grito
           amantes da dor!!

Deitas na tua cama
          teu corpo é pesado
                            teu quarto é oco
o chão é o teu espelho
          rezas
para os homens
        o lamento naufraga
        em tuas mãos
para nada.

                          Fernando Bernadelli

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Silêncio no Mundo

Olho para os seres invisíveis
uma angústia me aflige
       a comunicação se perde pelo orgulho
     de todos
neste tempo é inútil se comunicar
Em vão estão as palavras
Em vão formam-se as palavras
Em vão os homens do passado se regeneram.

É tempo do mundo explodir pelo silêncio.
Tempo do absoluto silêncio.
                  Homens, ondas, ônibus, orgasmos,
       tudo jogado no silêncio do mundo.
Meu coração é habitado pela cidade do silêncio
Lá as vozes não tem voz
         foram afogadas neste estúpido peito
                             de homem.

Só agora percebo que o choro entre os homens é ineficaz
as gotas que deslizam nos rostos fantasmagóricos
servem apenas para molharem os pés impermeáveis
tudo inunda.

Inútil é cantar, inútil é anunciar,
inútil é amar, inútil é escrever
só o meu coração sabe
como é doloroso o meu coração! 


Fernando Bernadelli

sábado, 14 de maio de 2011

Artificialidade

Os cruzamentos dos olhares
       que antes as lágrimas se derramavam
já não nascem mais
       o artificial penetrou nos homens
          cujos os olhos não se conhecem mais
A conversa na internet
    a inútil conversa nas quais
           as mãos batem ferozmente
na tecla do computador
              e o ruído sangrento ecoa pela casa
      o sentimento se torna artificial.


Fechas os olhos
     percebes o poderoso mundo
as constantes mudanças dos seres
as novas roupas, os novos objetos,
as novas armas, as novas guerras
         Tudo isso, na pequena fração de segundo
 com teus olhos fechados
      quando abrires 
não adiantarás mais e serás um ser artificial.


O poema será artificial
      mesmo que os versos não sejam
pois as futuras bocas
ó futuras bocas!
cantarão o poema
     e me tornarei um poeta artificial.

                              Fernando Bernadelli