segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Aos teus olhos

O horizonte das palavras é difícil de encontrar.
Como os seus olhos que um dia
                                                 o sopro do vento levou para
                      o ártico.
Desde então meu coração é gelo
não há batidas, não há sangue
                                                 há apenas um vento frio
       que circula
vagarosamente nas minhas
                                 estúpidas veias.
Por fim, as minhas lágrimas
         são de cristais de gelo
 que refletem os olhos perdidos...
Como a vida é fria Meu Deus!

Fernando Bernadelli

terça-feira, 26 de julho de 2011

Noite

Fria noite
           que me aflige,
                      em teu sopro
está a minha dor
             que flutua
         ao lado da escuridão.
Tempo inacabado
severas badaladas
em minha alma
frágil, fragmentada, fantasmagórica
               nesse estúpido tempo. 


Abro caminho
      na tempestade noturna
               ouço outras vozes
  de diversas dores 
                   as mesmas dores
                   as mesmas indentidades
frágeis
          em um só canto. 
Levam tudo...
pés frágeis
mãos trincadas 
corpo vazio 
                    no fim uma estúpida estátua 
                         gélida
                         egoísta 
                        dona de um tempo.

                                                Fernando Bernadelli

Dor

Sinto-me sozinho
               egoísta com a minha dor
     não quero comunicar
     não quero amar
                       resta
         isolar-me 
              como uma estúpida árvore seca e podre.


Deixa-me sozinho
             esquece a minha existência
    quando abrires a tua porta
                 não deixa-me
            entrar
Porque estupidamente nasci oco
nasci fraco, nasci sozinho, nasci poeta.
Ó vida!! Como que tu és seca.

                                      Fernando Bernadelli

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Poesia

Minhas mãos estão mortas
             paralisadas, frias, congeladas,
 Tu sabes dessa dor
  sabes que tudo isso  é inútil
           esse grito, esse clamor, essa solução!
Sentes a dor do mundo
             sozinho , isolado
            és uma ilha morta
                 seca
          apenas areia.

Ouves os cantos de outros seres
o mesmo clamor, o mesmo grito
           amantes da dor!!

Deitas na tua cama
          teu corpo é pesado
                            teu quarto é oco
o chão é o teu espelho
          rezas
para os homens
        o lamento naufraga
        em tuas mãos
para nada.

                          Fernando Bernadelli

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Silêncio no Mundo

Olho para os seres invisíveis
uma angústia me aflige
       a comunicação se perde pelo orgulho
     de todos
neste tempo é inútil se comunicar
Em vão estão as palavras
Em vão formam-se as palavras
Em vão os homens do passado se regeneram.

É tempo do mundo explodir pelo silêncio.
Tempo do absoluto silêncio.
                  Homens, ondas, ônibus, orgasmos,
       tudo jogado no silêncio do mundo.
Meu coração é habitado pela cidade do silêncio
Lá as vozes não tem voz
         foram afogadas neste estúpido peito
                             de homem.

Só agora percebo que o choro entre os homens é ineficaz
as gotas que deslizam nos rostos fantasmagóricos
servem apenas para molharem os pés impermeáveis
tudo inunda.

Inútil é cantar, inútil é anunciar,
inútil é amar, inútil é escrever
só o meu coração sabe
como é doloroso o meu coração! 


Fernando Bernadelli

sábado, 14 de maio de 2011

Artificialidade

Os cruzamentos dos olhares
       que antes as lágrimas se derramavam
já não nascem mais
       o artificial penetrou nos homens
          cujos os olhos não se conhecem mais
A conversa na internet
    a inútil conversa nas quais
           as mãos batem ferozmente
na tecla do computador
              e o ruído sangrento ecoa pela casa
      o sentimento se torna artificial.


Fechas os olhos
     percebes o poderoso mundo
as constantes mudanças dos seres
as novas roupas, os novos objetos,
as novas armas, as novas guerras
         Tudo isso, na pequena fração de segundo
 com teus olhos fechados
      quando abrires 
não adiantarás mais e serás um ser artificial.


O poema será artificial
      mesmo que os versos não sejam
pois as futuras bocas
ó futuras bocas!
cantarão o poema
     e me tornarei um poeta artificial.

                              Fernando Bernadelli 

sexta-feira, 22 de abril de 2011

A morte

Caminho em escadas fúnebres
               os meus pés a cada
                degrau se putrefica.
                       Abro
                         a
      porta do mundo dos mortos
a canção paralisa meus
            gelados nervos.
E agora?
Conseguirei sobreviver no mundo dos homens?

Minhas mãos não falam.
Como são inúteis
   em tempos em que os homens
não se comunicam mais
nem trocam os estúpidos olhares.
Todos.
E a morte
             não é uma caveira e tampouco
          um fantasma
     Mas a alegoria do homem
     o ser que está em meu corpo
     e os outros seres que me rodeiam.

Fernando Bernadelli